vendo estrelas
esquecer de tudo ao seu redor, ver estrelas e sentir tonturas é uma descrição um tanto ambígua; pode parecer que falo de um momento orgásmico ou de dor, muita dor. nesse caso específico, falo do segundo.
ontem fui para mais uma sessão de tatuagem; a idéia é ter as costas repletas de flores, numa pacifica paisagem japa - peonias, sakuras, talvez um lago com uma carpa. esse processo já dura um ano e não tem previsão para terminar. vai ficar lindo, é claro, mas o custo disso é literalmente pago com o próprio sangue!
nesse istante, concentro todas as forças em não coçar, não mexer, não cutucar, mas isso é até fácil comparado com o sofrimento que passei ontem.
sentir uma agulha -uma não, nove! - perfurando sua pele, rasgando seu caminho em linhas sinuosas que não há como deixar de acompanhar e imaginar o desenho q vai ser formando, ouvir o barulho contínuo e irritante da máquina são coisas que só quem faz sabe como são; compensa sim, não tenho dúvida, mas na hora é de fazer esquecer o propósito de tudo aquilo.
ontem, vi estrelas. isso nunca tinha me acontecido e, sinceramente, achava que era coisa que só acontecia com o tom, o jerry, o frajola ou o papa-léguas; mas ontem foi minha vez. de olhos fechados, o pensamento totalmente concentrado na dor, que trancende o local e se torna a única realidade, de olhos fechados as vi. desconcertada, abri rapidamente as pálpebras, na certeza de que não estariam na luz, mas enganei-me. estavam lá e eram centenas de estrelinhas piscando diantes dos meus olhos já bem abertos que para ver outra coisa qualquer pouco serviam naquele momento - só via estrelas.
no final da sessão, ao levantar-me tropicando de câimbra da posição um tanto incômoda, lá estavam elas novamente, piscavam me deixando tonta e persistiram por um tempo que não saberia estipular, típico daquelas sensações momentâneas que parecem durar uma eternindade.
o que me impressiona nesses instantes de dor é que descrição deles parecem confundir-se com descrições de momentos de prazer intenso - ver estrelas, esquecer de tudo. seriam então apenas de dor os arrepios que sinto junto com as agulhadas que me rasgam a pele e fazem sangrar?
ontem fui para mais uma sessão de tatuagem; a idéia é ter as costas repletas de flores, numa pacifica paisagem japa - peonias, sakuras, talvez um lago com uma carpa. esse processo já dura um ano e não tem previsão para terminar. vai ficar lindo, é claro, mas o custo disso é literalmente pago com o próprio sangue!
nesse istante, concentro todas as forças em não coçar, não mexer, não cutucar, mas isso é até fácil comparado com o sofrimento que passei ontem.
sentir uma agulha -uma não, nove! - perfurando sua pele, rasgando seu caminho em linhas sinuosas que não há como deixar de acompanhar e imaginar o desenho q vai ser formando, ouvir o barulho contínuo e irritante da máquina são coisas que só quem faz sabe como são; compensa sim, não tenho dúvida, mas na hora é de fazer esquecer o propósito de tudo aquilo.
ontem, vi estrelas. isso nunca tinha me acontecido e, sinceramente, achava que era coisa que só acontecia com o tom, o jerry, o frajola ou o papa-léguas; mas ontem foi minha vez. de olhos fechados, o pensamento totalmente concentrado na dor, que trancende o local e se torna a única realidade, de olhos fechados as vi. desconcertada, abri rapidamente as pálpebras, na certeza de que não estariam na luz, mas enganei-me. estavam lá e eram centenas de estrelinhas piscando diantes dos meus olhos já bem abertos que para ver outra coisa qualquer pouco serviam naquele momento - só via estrelas.
no final da sessão, ao levantar-me tropicando de câimbra da posição um tanto incômoda, lá estavam elas novamente, piscavam me deixando tonta e persistiram por um tempo que não saberia estipular, típico daquelas sensações momentâneas que parecem durar uma eternindade.
o que me impressiona nesses instantes de dor é que descrição deles parecem confundir-se com descrições de momentos de prazer intenso - ver estrelas, esquecer de tudo. seriam então apenas de dor os arrepios que sinto junto com as agulhadas que me rasgam a pele e fazem sangrar?

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