Monday, April 03, 2006

sempre shakespeare

ontem tive mais uma vez o prazer de assistir uma encenação de uma peça de shakespeare; ano passado assisti a opera de macbeth e ontem ao espetaculo de antonio e cleópatra - um amor imortal.
tudo que diz respeito ao amor me interessa e passa a me interessar mais à medida que me torno cada vez mais amante e amada - e shakespeare sempre tem muito o que dizer sobre o tema; me impressiona a construção de personagens não apenas complexos mas grandiosos, dispostos a dar a vida por amor e por ideiais maiores; foi mais ou menos isso que me lembro ter escrito sobre macbeth, mas antonio e cleopatra são um casal impossível, pelas posiçoes que ocupavam e pelas circuntancias que os distanciavam. como uma boa tragédia, ambos se matam ao final, para estarem juntos numa outra existência, dada a impossibilidade de se amarem livremente nessa. que amor era esse então que vencia a vida? como romeu e julieta, a morte os recebe para livrá-los do sofrimento terreno de estar longe do objeto de adoração; também como romeu e julieta, o casal tira a propria vida por circunstâncias duvidosas, cegados por um engano que, curiosamente, nos dois casos é atribuído a figura feminina...
tiraria a propria vida meu amor sabendo da minha morte? talvez tirasse vida alheia, mas nao creio que as pessoas vejam a morte do amado como fim da propria existência hoje em dia - melhor, menos suicídios assim... mas se pensarmos metaforicamente, olhando apenas para o imenso sacrificio de abrir mão do que lhe é mais caro - a propria vida, na tragédia shakesperiana - então me entristece a conclusão: não, não mais nos encontramos dispostos a tais sacrificios, não se cede um centímetro por amor, não se abre mão nessa existência egoísta de pessoas modernas...
sempre chego a essa conclusão; foi assim com um livro lido recentemente, está no meu pensamento agora quando lembro-me da tragédia de antonio e cleópatra e no meu coração quando penso na minha própria vida.